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sábado, 17 de maio de 2014

Fanfics, inspiração, choro e livros


Quando eu tinha lá os meus 12 anos de idade e acreditava que os Jonas Brothers eram os seres mais lindos do mundo, tudo o que eu queria era alguma coisa que me aproximasse deles de alguma forma. Encontrei as fan fics. É muito importante dizer que eu tinha plena consciência de que aquilo ali não passava de algumas histórias que fãs como eu escreviam para retratar aquele sonho que tinham, e nunca confundi com a realidade.

Nesse fandom, eu li muito, porque as autoras usavam uma coisinha chamada Java que tornava a fanfic interativa, ou seja, você lia como se uma das personagens fosse você. Era o máximo! Não sei nem dizer quantas vezes eu fui a namorada do Joe Jonas. haha

A comunidade oficial (sim, no Orkut) tinha uma página na web com a listagem de todas as fanfics publicadas, por ordem alfabética. Os autores começaram postando no Geocities, aquele site do yahoo que permitia que você criasse uma página com html, e depois passaram a postar no Bol, quando o Geocities fechou. Mais tarde, foram criando sites destinados à postagem de fanfictions. No Brasil, eram o Nyah e os Fanfic Obsession e Addiction. Eles não eram muito inclusivos com relação a fandoms, limitados a algumas bandas e séries, como McFly e Gossip Girl.


http://www.fanficobsession.com.br/

Lá fora, nos States, a primeira ferramenta de fanfic foi o LiveJournal. Fácil de usar e acessível, ele tinha o objetivo de ser um diário virtual, mas até hoje usam ele para postar fanfics. Além dele, existem o Fanfiction.net (que tem fanfics em todas as línguas), o tumblr e, hoje, a maior de todas: o Archive Of Our Own. O AO3, como é conhecido, também tem fanfics em todas as línguas, e uma lista quase infinita de fandoms para você escolher.

LiveJournal, FF.net, AO3

Mas, voltando à minha história... Eu queria escrever, e até tentei algumas vezes, aprendi a usar o Java e tudo o mais, mas nunca consegui sair de algumas páginas. A ideia de que o leitor que moldaria a história, que aquele personagem principal seria qualquer um que lesse, acabava me travando um pouco. Como montar a personalidade de alguém que você não conhece?

Apesar de amar a ideia, então, eu não cheguei a publicar nenhuma fanfic no fandom de Jonas Brothers. Li algumas do McFly e de Crepúsculo (porque sinceramente, os autores de fanfic de Crepúsculo no Brasil escrevem mil vezes melhor do que a Stephenie Meyer). Só fui postar alguma coisa na época de Glee. E não parei. A primeira vez que escrevi algo com mais de 50 páginas foi uma fanfic, e tudo o que eu queria era que as pessoas lessem o que eu estava escrevendo. A cada atualização de capítulo, eu recebia elogios, e eram eles que me faziam escrever mais e mais e mais.

Onde quero chegar com isso? Bom, acho que devo começar do começo. As fan fics (curto para fanfictions, ou ficção de fãs) são histórias escritas, como o nome diz, por fãs de determinada série, livro, filme, enfim, algum universo já existente, utilizando seus personagens já existentes. Como não são publicados, não violam qualquer tipo de direito.

Acontece que, atualmente, há um esforço grande para publicar livros no formato digital. No meio disso tudo, vimos 50 Tons de Cinza, uma fanfic de Crepúsculo, ser publicada como livro e vender MUITO bem. A autora Lisa Jane Smith, de Diários do Vampiro, começou a dar continuidade à série de livros através de fanfics que ela mesma escreveu...

Isso levanta algumas perguntas legais sobre o futuro das publicações, dos livros e das fanfics. No fandom de Glee, três leitoras de fanfic se juntaram e criaram uma editora bem visionária. Além de publicar fanfics (com as devidas modificações, é claro), a Interlude Press irá publicar exclusivamente fanfics LGBTQ.

http://interludepress.com/
Se você clicar na imagem, vai pro site da IP :)


Depois de mais ou menos um mês de divulgação do projeto, os três primeiros livros da editora estão disponíveis para pré-venda no site oficial. A partir da data de lançamento, os livros também estarão disponíveis internacionalmente. Eu conversei (por e-mail) com uma das criadoras do projeto, para saber o que as levou a fazê-lo, qual a importância das fanfics e como foi a reação dos autores e leitores à ideia.



Entrevista com CL Miller, da Interlude Press

Você pode me contar um pouco sobre o projeto?

A resposta curta é que a Interlude Press (IP) é uma editora dedicada a romances LGBTQ, mas é claro que é mais do que isso.

A companhia foi criada por autoras e leitoras de fan fiction que também trabalhavam com publicações, tecnologia e relações públicas/marketing, e um dos grandes focos da companhia é incluir o trabalho de alguns autores de fan fiction muito talentosos. Isso inclui publicar tanto histórias novas quanto livros baseados em histórias que apareceram primeiro como fan fiction.

Nós achamos que existem alguns escritores maravilhosos nesse mundo [das fanfics], e que eles merecem uma chance para publicar seus romances e ficção. Nossa meta é ajudar a forçar a abertura da porta da indústria editorial para eles e não só publicar seus livros, mas oferecer a eles o suporte de marketing e editorial que eles não necessariamente receberiam de uma grande editora. Nós somos muito honestos quanto ao fato que os autores com os quais estamos trabalhando são do mundo das fan fictions, e nós acreditamos em celebrar isso. Um dos modos que fazemos isso é explicitando para os autores que estão reimaginando histórias existentes de suas fan fictions que nós queremos que eles mantenham seus originais na internet e disponíveis de graça, seja no LiveJournal, no AO3(Archive Of Our Own), no S&C (Scarves&Coffee, criada exclusivamente para fanfics de Kurt e Blaine, de Glee), no ff.net – em qualquer forma que esteja. Nós também queremos que os autores continuem escrevendo nos fandoms e, até agora, é exatamente isso que eles têm feito.

Com relação ao que estamos publicando, nós queremos ser claros que as histórias que são baseadas em fan fictions são, agora, histórias completamente originais. Nós fomos cuidadosos ao escolher histórias que não eram profundamente ligadas ao cânone (canon), que já incluíam cenários originais e tinham um senso de personagens originais. Não é tão incomum que os autores tenham uma ideia para uma história original que eles rascunham no mundo dos fãs com a intenção de eventualmente substituir elementos canônicos por personagens e locais originais. É uma ótima maneira dos autores conseguirem um feedback sobre o que funciona e o que não funciona. Em alguns casos, os autores trabalhando com a IP voltaram e reconstruíram completamente a história, adicionando mais detalhes e enredo à fanfic que publicaram originalmente.

Nós também estamos publicando histórias originais de ficção LGBTQ que são novinhas em folha. Nós vamos começar a divulgá-las no fim do outono. [No caso, na nossa primavera].


Como vocês tiveram a ideia para a Interlude Press? Vocês estavam com medo das reações dos autores e leitores?

Nesse mês, a ideia do projeto completa um ano. Ela surgiu na Book Expo America do ano passado, onde Annie (nossa Diretora Editorial e uma das três sócias fundadoras) assistiu a uma palestra de um executivo de uma das Cinco Grandes editoras dos Estados Unidos. Ele estava falando sobre “50 Tons de Cinza”, assim como muitos na conferência, e ele reconheceu que a indústria editorial tinha perdido uma chance com as fan fics. Ele disse que os editores deveriam estar ouvindo os fandoms, porque eles é que poderiam direcionar as escolhas editoriais das editoras. Annie mandou mensagens para mim e para Lex (nossa Diretora de Tecnologia e a outra sócia fundadora) naquele dia, dizendo, “eles estão certos, mas eles não entendem fandoms, ou fan fictions, o mundo dos fãs. Há um processo de aprendizagem”. Isso foi o que começou. Nós dedicamos meses de pesquisa e desenvolvimento ao projeto antes de decidir incorporá-lo e torná-lo realidade.

Quanto às reações, o máximo que você pode fazer quando começa um novo negócio é pesquisar, conversar com quem tem mais experiência do que você e aprender com ambos. Não importa quão bem você se planeje, nada é garantido, e sim, nós estávamos um pouco nervosos quando nós fizemos as propostas aos primeiros autores, mas as reações foram fantásticas, muito melhores do que esperávamos, tanto com os leitores quanto com os autores. Nós estamos satisfeitas e muito, muito gratas.


Por que (e como) vocês escolheram os autores que vão publicar?

Bom, esse é, obviamente, um trabalho ainda em processo. Nós temos uma lista comprida de autores com quem esperamos poder falar. Muita coisa influencia nessa decisão. Existe, é claro, o fato de querermos introduzir o mundo “de fora” aos ótimos autores de fan fics. E existem autores que ou criaram obras icônicas de fan fiction, ou têm a reputação de manter seus trabalhos consistentemente em uma qualidade alta, não importa qual o gênero em que escrevem. Então essa é uma parte, mas certamente não o todo. Parte de nossa meta é fazer uma ponte entre a venda do mundo dos fãs e o público geral. Nós estamos procurando por títulos que acreditamos que podem fazer isso, e autores que acreditamos que podem acompanhar esse processo, incluindo cumprir datas, trabalhar com múltiplos editores e contribuir com o marketing de seu trabalho. Quando analisamos os títulos já existentes, também existe a questão inevitável da praticidade. Existem algumas histórias esplêndidas que nós simplesmente não podemos publicar, seja por tamanho, complexidade para editar, pelo fato de publicação prévia por um longo período, ou por estarem simplesmente muito conectadas ao cânone de seu fandom para ser possível refazer. Todos esses fatores, e mais, podem afetar. Nós queremos produzir livros que sejam de boa qualidade e acessíveis, e esses fatos afetam isso.

Nós anunciamos apenas os primeiros autores que assinaram com a Interlude para desenvolver romances e sagas. Nós continuamos falando com autores sobre alguns títulos novos e reimaginados.


Vocês tinham ideia do tipo de reação que a Interlude Press receberia?

Toda vez que você começa um novo negócio, você se arrisca. Com sorte, é um risco com base em uma pesquisa sólida. Ontem à noite [dia 13/05], nós abrimos nossa livraria para pré-vendas, e as pessoas estavam “enfileiradas” à meia-noite, esperando a abertura, o que foi ótimo.

Nossos primeiros indicadores estão bons, e nós estamos otimistas, mas temos muito trabalho duro por nossa frente.


As perguntas internacionais continuam chegando para vocês, certo? Vocês estavam preparados para tantas pessoas perguntando sobre envio e dispostas a pagar por um livro internacional?

Que continuem chegando! Nós amamos receber perguntas de um público internacional, e nós estamos nos preparando desde o começo para vender os títulos da IP globalmente. Nós contratamos um grande distribuidor global para tratar dos nossos pedidos internacionais. Ele pode entregar livros em 195 países, então existe uma boa chance que todos os leitores consigam comprar uma edição física de nossos livros comprando em suas livrarias locais. Nós também vamos oferecer pacotes digitais de eBooks em diversos formatos disponíveis online. Nós vamos detalhar todas as formas de comprar tanto o livro físico quanto o eBook em nosso site.


Que tipo de reação vocês receberam dos autores quando entraram em contato com eles? O contato foi feito exclusivamente online, ou vocês conheceram alguns deles?

Essa é uma boa pergunta, porque nós percebemos alguns equívocos quando anunciamos a companhia. Os primeiros autores a publicar com a IP representam uma seção transversal de autores que ou escrevem ou costumavam escrever no mundo de fãs de Glee. Alguns deles nós conhecíamos bem. Outros, nós conhecíamos apenas pela reputação, e essencialmente tivemos que nós apresentar ou achar alguém que nos conhecia e confiava em nós para fazer as apresentações. Alguns nós conhecemos pessoalmente, e isso foi ótimo. Eu vi que a Chazzam estava visitando LA alguns meses atrás, e aproveitei a chance de conhecê-la. Nós nunca tivéramos uma conversa antes daquilo, e foi um pouco intimidante porque o pensamento principal na minha cabeça era Essa é a autora de The Sidhe. Eu fico feliz de ter superado isso, porque Chazzam é uma das pessoas mais legais e agradáveis que você poderia conhecer.

A resposta à proposta foi incrível. Todo mundo disse sim? Não, mas todos apoiaram muito e estavam dispostos a conversar sobre o assunto. E as conversas foram memoráveis, e um pouco loucas, já que estávamos coordenando horários globais. Houve perguntas inteligentes, e risadas, e até algumas lágrimas. Lágrimas boas, de pessoas que nunca acharam que teriam a chance de publicar um livro. Eu não sei nem começar a descrever quão recompensantes essas conversas foram. Nós três desligaríamos o telefone, e ficaríamos em silêncio por um momento, e então uma de nós diria, inevitavelmente: “É por isso que estamos fazendo esse projeto”. Relembrar esses momentos só nos faz querer trabalhar ainda mais duro.

Eu vi algumas fanfics com muitos links externos para várias coisas – scrapbooks, playlists... - vocês planejam manter esses links nos livros digitais?

Essa é uma daquelas coisas que tornam as fan fics tão especiais – a habilidade de ver essas inspirações transformadas em histórias. E é uma das (muitas) razões para querermos que os autores da IP mantenham suas fan fictions disponíveis online.

É outra história para um livro publicado. Existem regras sobre os direitos das músicas que tornariam as playlists proibidas pelo custo. Dito isso, os autores da IP vão todos começar blogs de autor, onde irão postar background dos livros, inspirações, scrapbooks e qualquer outra coisa relevante para seus livros.

O que é tão importante nas fanfics?

Essa é uma pergunta ótima, importante e um pouco gigante!

Em primeiro lugar, todos nós sabemos que autores (e leitores) de fan fics têm que lutar por respeito há tempos. Diga o que for sobre 50 Tons de Cinza, mas pelo menos ele abriu os olhos de muitas pessoas que previamente nem olhariam para fan fiction como algo legítimo ou comercializável.

Primeiro, e isso falando tanto do crédito quanto da imagem do gênero, existe algo para todos nas fan fictions. E eu quero dizer todos. Existem crack fic [fan fics engraçadas, de comédia], romance, suspense, fanfics de episódio, e com mundos detalhados. Existem fanfics monstruosas de 300.000 palavras. Existem rascunhos de 100 palavras. Existem romances que prevalecem e eu diria que passam muitos best seller em termos de qualidade. E sim, existem as fan fics pornôs. Algo para todos, e abençoados são os escritores de fan fiction, cada um deles, por fazer isso.

E essa é outra coisa que é realmente especial nas fan fics: a diversidade de autores. Olhe a demografia das pessoas escrevendo fics. Se estica de crianças a aposentados. Existem pessoas que nunca escreveram ficção antes e que se sentem inspiradas a tentar graças à fan fiction. Existem autores profissionais que estão apenas “esticando as pernas”. Existem pessoas que talvez sempre escreveram, mas nunca encontraram um público. Nas fan fics, elas conseguem encontrar esse público, e conseguir o feedback de que precisam para polir suas habilidades.

Esses autores escrevem pelo amor de escrever, e o amor ao seu mundo de fã. E isso é incrível. O fato de que tantas pessoas estão escrevendo, simplesmente porque amam isso? É inspirador.

terça-feira, 10 de julho de 2012

A efemeridade da memória

Começa com um rosto, ou uma data, ou até mesmo um pedido que costumava fazer em uma lanchonete. Se transforma em algo maior, aos poucos, imperceptivelmente.

Qual era mesmo o nome daquela menina que estudava comigo no Fundamental?

A mente esquece, apaga, porque não há a necessidade de lembrar, é efêmero, passa.

Então você se vê perdido, não se lembra como chegar na casa em que morou quando era criança. Nem sabe se o lugar onde você está é o mesmo em que morava.

Aos poucos, fatos aleatórios vêm, sabe-se lá de onde, e você conta a mesma história que contava há dias, semanas, mas algo nela está errado, trocado, não é exatamente o que aconteceu.

A verdade é que você esqueceu.

Esqueceu que brincava num balanço nos fundos da sua casa, esqueceu que uma vez teve catapora e foi para casa mais cedo. Esqueceu da horta, do barulho do rio nos fundos do quintal e da briga dos pais, abafada pelo som das suas próprias lágrimas. Esqueceu o nome daquela professora que te ensinou a contar de 1 a 10, daquela pessoa que você achava que amava na quarta série.

Para e reflete, percebe que nada parece estar exatamente como você se lembrava, que enquanto você se preocupava em criar novas memórias, as velhas te escapavam.

E então, se lembra.

Um dia, você amou.


Ariel A. Carvalho

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Meia-noite: a última?

Hoje vou escrever sobre Vampire Diaries, The Return: Midnight.


Posso dizer que esse livro não me decepcionou, apesar de não me chocar.

Acontece que, depois de ler TODOS os livros da série, esse se torna um pouco repetitivo e cansativo, apesar de ainda ter bastante ação e vários momentos engraçados por culpa do Damon.

O livro é focado, como sempre, em Elena e companhia, dando grande ênfase ao triângulo amoroso Stefan, Elena e Damon, principalmente através dos pensamentos da loira. Dessa vez, o grupo tem que lutar contra Shinichi e Misao - que estão destruindo Fell's Church - enquanto descobrem coisas a respeito um do outro que jamais poderiam imaginar - e que podem transformar suas vidas para sempre.

O que me deixou de nariz um pouco torcido foi o modo como eu pude prever algumas coisas nesse livro. Não vou falar muito para não dar spoilers mas, se você ler o livro, vai prever que o próximo livro da série deve focar em Damon e em todo o drama familiar de Meredith (que é apresentado nesse livro e, sinceramente, deixa você se perguntando: por que isso agora?).

De todos os livros da série, esse foi o que eu demorei mais tempo para ler. Como eu disse, é cansativo, e achei que é muito "Elena" o tempo todo, sempre com pequenas coisas que quase a glorificam.

É uma leitura que vale a pena sim, mas é necessário ter disposição. O livro me fez chorar, e só vou dizer que tem a ver com o Damon - o inquebrável, perfeito e orgulhoso Damon.

Ah, e antes que eu me esqueça: o final é o que eu chamaria de levemente frustrante e extremamente preparatório para o próximo livro.

Amo a Lisa de paixão mas, honestamente, acho que outro livro agora será um pouco forçado.

sábado, 15 de outubro de 2011

Renan Collins, Phill Collins, Ariel Collins, Collins Calling

Pois é. Eu não tenho amigos normais. Prova disso é um tal Renan, que além de ser meu amigo, confidente, bixo (sim, com x), é maluco. Nossas conversas no msn não fazem sentido e 99% das vezes um dos dois está ou doente ou com o corpo doído.

Mas enfim... Não vim falar só sobre ele, mas também sobre o que ele quis saber: por quê Collin's Calling? Eu explico. Eu sou louca por RENT, um musical escrito por Jonathan Larson e que trata do lado "negro" de Nova York, da aids e dos boêmios. Nesse filme/peça, meu personagem favorito (depois do Angel, óbvio) é o Tom Collins. Quando minha amiga Júlia (já falei dela aqui s2) estava procurando nomes para a banda, eu fiquei com esse nome, Collin's Calling, na cabeça. A tradução é "O chamado do Collin", e foi inspirado no Tom. Não sei o motivo, mas essa ideia maravilhosa acabou ficando, e eu até criei um tumblr com esse nome, mas decidi mudar o blog pra esse url também.



Agora, falemos das autoras que eu prometi no último post. As três são autoras "online", que postam seus textos e ideias somente na net, e acho que só a Aubrey é maior de idade. Elas escrevem MUITO bem, de uma forma sentimental e fofa, mas também cômica e dramática, mas podem transformar o texto delas em QUALQUER coisa. Elas me inspiram e tenho certeza de que não sou a única, mas escrevem em inglês. Se alguém quiser os links delas, é só pedir, mas não vou postar aqui por respeito a elas.



Bom, tendo dito isso, posso voltar a falar em Renan. Nos conhecemos no ano passado, mas ficamos amigos de verdade mesmo esse ano. Ele é um amor de pessoa (quando quer) e não sei se merecia ser mencionado no meu post, mas quando eu falei o que Collin's Calling significava, ele soltou a pérola: "Renan Collins, Phil Collins kk". Eu precisva disso no meu blog e na minha vida.

Descobri que Tom Collins também é o nome de um drinque. Hum...

Ah, alguém já viu o blog da capivara da Córa? Entrem e morram de rir.

A alta costura do amor

Pensei milhões de vezes antes de fazer esse post. Pensei em escrever sobre Jack Griffin ("O Homem Invisível"), Dorian Gray, Lord Byron... Cheguei hoje à conclusão que escreveria sobre uma das tramas mais fofas e intensas que eu já vi e li até hoje.

Já é até bem clichê. Começou na época da ópera Madame Butterfly e atravessou gerações até Victor/Victoria. Estou falando da típica história: um homem se apaixona por uma mulher e depois descobre que ela é um homem (em Victor/Victoria, é meio ao contrário, mas a trama é basicamente a mesma). Então começam os questionamentos: eu consigo amar essa pessoa mesmo ela sendo do mesmo sexo que eu? Eu a amo tanto a ponto de esquecer o que a sociedade diz?
                                               Julie Andrews em "Victor/Victoria". 
                                                                                        Foto de divulgação.

A razão pela qual decidi escrever sobre isso foi uma história em inglês, online, chamada Haute Couture, ou "Alta Costura". Ela se passa em 1889 e narra a história de um estilista, William que, cansado de ouvir as pessoas fofocando sobre sua vida, decide contratar uma acompanhante - chamada Simone - para uma de suas festas. Aos poucos, ele se apaixona por ela e acaba pedindo a mulher em casamento, e é então que a verdade vem à tona.

Enquanto isso, Richard (o verdadeiro 'eu' por trás de Simone), falido, mora com seu melhor amigo - e também homossexual - Elija, que durante a história fica doente e arranja um namorado que me encheu de inveja.

Bom, no meio disso tudo, a chefe de Simone também descobre a mentira e chantageia, Richard se apaixona cada vez mais por William e Elija começa a perceber que seu amigo está se perdendo para a ilusão de Simone. E, é claro, William tem que se fazer a pergunta: eu amo a pessoa ou a mulher?

Acredito que, independente da resposta, todos deviam ler essa história. Além de expor muito bem a dúvida de William enquanto contempla se deve ficar ou não com Richard, te deixa com uma dor no coração em váarios capítulos mas também te deixa gritando "Awn!" em muitos outros capítulos.

Na parte do conteúdo, eu acho que só faltou um pouco de homofobismo (isso existe?), porque era 1889, né? Também acho que a autora pulou muito no tempo em algumas partes e lá para o meio a história fica um tanto quanto desinteressante, mas depois pega um ritmo bom e você fica roendo as unhas querendo saber como termina.

O final é chocante (pelo menos pra mim foi), lindo, emocionante e triste. Eu amei e tenho certeza que quem decidir ler não vai se decepcionar.

A autora pretende mandar a história para uma editora (e eu dou todo o meu apoio, gente talentosa como ela deve SIM publicar), então eu acredito que logo, logo, a versão online saia de cena.

Sei também que eu vou comprar o livro e devorar como se nunca tivesse lido, porque é assim com histórias boas.