quinta-feira, 4 de abril de 2013

Haikus

Pela definição da Wikipédia Brasil, Haikai é "uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade" e têm, geralmente, três linhas. São poemas pequenos, mas capazes de dizer muito.

E, honestamente, são ótimas "metáforas". Quantas vezes não nos embolamos todos tentando dizer palavras ou frases grandes, que passem o que estamos sentindo, quando poderíamos dizer apenas algo pequenino? As coisas mais simples na vida são sempre as mais bonitas, as que ficam mais na memória. Como um pequeno Haikai (ou Haiku).

Escolhi alguns de outros autores e alguns meus para postar aqui. Espero que gostem!


Histórias de algumas vidas
Noite. Um silvo no ar,
Ninguém na estação. E o trem
passa sem parar.
(Guilherme de Almeida)


       Deus dá a todos uma estrela.
       Uns fazem da estrela um sol.
       Outros nem conseguem vê-la.
       (Helena Kolody)


E eis uma das minhas tentativas de Haiku:

Não precisava da luz contra minhas cortinas
O dia não me importava
se à noite tinha seu corpo contra o meu


quarta-feira, 3 de abril de 2013

De Bryan e David a Brian e David

Adoro aquela parte da revista Superinteressante em que eles fazem "conexões" entre pessoas ou coisas de mesmo nome. Inspirada nessa pequena seção, eis a minha nobre (e gay) tentativa.

De Bryan e David...


Bryan Collins e David Sawyer formam o casal protagonista da série The New Normal (exibida no Brasil pela FOX), que conta a história de um casal gay tentando ter um filho, e foi criada por...

...Ryan Murphy...

Nascido em Indiana, dirigiu filmes como Comer, Rezar, Amar e Correndo Com Tesouras (um dos meus favoritos, vale a pena ver), criador de Nip/Tuck, American Horror Story e...

...Glee...
A série que todo mundo conhece, mas poucos são os que realmente assistem a todos os episódios. Conta suas histórias através de músicas. Em um dos episódios, Sue Sylvester se pergunta o que aconteceria com os personagens depois do fim do Glee Club, e Blaine diz...

..."Estou me apresentando em vestiários/balneários"...

Que são os locais onde os esportistas e banhistas tomam banho depois do esporte ou dos banhos. Mas, nos EUA, as saunas e vestiários são usados para outra atividade, que também ajuda a perder calorias (alguém aí disse sexo?) e, por sinal, eram os lugares mais frequentados por...

...Brian Kinney...

Protagonista da versão americana da série Queer As Folk (que dedicava seus episódios a mostrar a vida de um grupo de amigos gays), passava a maior parte do tempo em uma boate, Babylon. Quase nunca estava sozinho, sempre tinha por perto Justin, Emmett, Ted e...

...Michael Novotny...


Melhor amigo de Brian, na primeira temporada namorou...

...David Cameron...
Quiroprático, sumiu no fim da primeira temporada (graças aos Poderes Invisíveis, que personagem mala)

...a Brian e David
Acontece que David Cameron morria de ciúmes de Brian Kinney, e essa foi a principal razão para o romance de Michael e David não dar certo.

Minhas coisas favoritas

Sou louca pela Julie Andrews. Demais. Não entendo como alguém tem a mesma cara de bebê aos 29 e aos 40, nem tanto talento mesmo depois de uma cirurgia nas cordas vocais.

A postagem de hoje é em homenagem a um dos melhores filmes dessa diva mor, A Noviça Rebelde.

 
Conheci o filme por causa da minha avó, que gosta tanto que chora todas as vezes que assiste a parte de "Edelweiss". A minha música favorita do filme, no entanto, é "My Favorite Things", e graças a ela decidi fazer uma lista das minhas coisas favoritas, seguindo as regras da letra.


Raindrops on roses and whiskers on kittens 
 Gosto daquela poeirinha que entra pela janela quando você abre e está sol, e de cabritos saltitando.



Bright copper kettles and warm woolen mittens
 Gosto da água na xícara assim que você põe o saquinho do chá e de casacos de veludo.


Brown paper packages tied up with strings
 Caixas de presente que dizem que a pessoa sabe quem você é.

Cream coloured ponies and crisp apple strudles 
 Cachorros com a cara amassada e torta de morango.



Doorbells and slaybells and schnitzel with noodles 
 Sinos de igrejas, sinos de vento e macarrão ao molho branco.



Wild geese that fly with the moon on their wings 
 Papagaios que falam frases engraçadas.

Girls in white dresses with blue satin sashes 
 Crianças pequenas usando All Star.



Snowflakes that stay on my nose and eyelashes 
 Tomar banho de chuva assim que os primeiros pingos caem.



Silver white winter that melts into spring 
 Aquelas noites de outono quando já é quase inverno.


P.S.: imagens do tumblr

segunda-feira, 1 de abril de 2013

As perguntas (chatas) que me fazem

Decidi, depois de ver um dos vídeos recentes do Hank Green, participar do BEDA (Blog Every Day April), que é basicamente um incentivo para fazer uma postagem por dia durante todo o mês de abril.

Parece fácil, mas sei que vai ser difícil decidir sobre o que falar no final do mês.

Por enquanto, eu tenho assunto, e hoje escolhi algo especial.

Todos nós temos aquelas perguntinhas que odiamos, certo? Resolvi fazer uma seleção daquelas que eu detesto ter que responder e que só de ouvir já me dá refluxo.


1. "Por que você não come carne?"

Ouço essa há dois anos, desde que parei de comer carne vermelha
. Pretendo parar de comer carne branca também, mas infelizmente ainda é muito caro e complicado levar uma vida completamente vegetariana no Brasil. E eis o motivo dessa pergunta me dar raiva: eu sou livre para fazer as escolhas que eu quiser. Vejo várias pessoas comentando que não comem jiló ou beterraba e ninguém as questiona. Não preciso explicar por que não quero, por que não gosto, por que não como. Já ouvi essa pergunta demais, e a resposta padrão é: "quero diminuir o número de mortes pelas quais sou responsável"



2. "Você é filha de Adivany?"

Para quem não sabe, Adivany é a minha mãe, e por mais que eu tenha o maior orgulho de ser filha dela, é muuuuito chato ter que responder essa pergunta. Geralmente leva a comentários do tipo "estudei com ela" e eu sou péssima em dar falsos sorrisos... Mas é tudo culpa da nossa semelhança física.



3. "O que é isso branco no seu dente?"

Eu tenho manchas brancas nos meus dois dentes da frente desde que eles nasceram. Quando eles estavam em processo de formação, aconteceu uma falha no esmalte (que é o nome do que dá a cor aos dentes) e eles ficaram com essas manchas. Eu gosto delas, não vejo problema algum em tê-las, mas eu ouço essa pergunta há quase dez anos, e odeio.



4. "Por que você não usa maquiagem?"

Tudo bem que a minha razão para odiar essa perguntar tem a ver com a pergunta número um, mas dá vontade de arrancar meus cabelos quando ouço essa. Sinceramente, eu não me sinto bonita usando maquiagem. A não ser que seja para uma fantasia ou só um toque de batom ou gloss, eu dispenso. Por mais que ninguém possa me obrigar a usar maquiagem, quando me fazem essa pergunta parecem querer que eu faça algo que eu não gosto, e eu me sinto bem "oprimida". Essa pergunta mostra bem como diferir do que é considerado normalidade é, na maior parte das vezes, complicado.



5. "O que você está fazendo aqui?"

Tudo bem, eu confesso, não odeio essa pergunta. Na verdade, até gosto dela. Normalmente, quando me fazem essa pergunta querem me perguntar por que eu estou em um lugar que é tão diferente de mim, e não vejo nada de errado nisso. O problema é que eu gostaria de ter a resposta para essa pergunta, mas não tenho, e isso me deixa um pouco triste. Quem é que não gostaria de saber o que está fazendo numa cidade pequena?


terça-feira, 19 de março de 2013

Katherines, David Levithan e meninos se beijando

(Tem tanto tempo que não escrevo aqui, nossa...)

Hoje, olhando meu perfil no skoob, encontrei uma resenha de "The Lover's Dictionary", do David Levithan, que eu nem sabia que tinha escrito, e decidi compartilhar aqui, porque queria falar do David mesmo, então...

Levithan é assim: mágico, lindo, inovador.
Através de situações simples e de uma narrativa incomum, ele conta a história de um amor, com todos os seus pontos altos e baixos.
Como ele mesmo diz, não existem palavras o suficiente para descrever o amor, seria como escrever um dicionário da vida.
Uma das melhores partes do livro é quando ela conta "o que ele não quer saber", porque capítulo sim, capítulo não, você é lembrado daquele momento em que a história muda, e não é assim com a vida real? Com os momentos ruins?
E David, incrível como é, consegue transformar duas pessoas sem nome e sem características em uma das histórias de amor mais realistas e mágicas dos últimos tempos.

"love, n.

I'm not going to even try."



Pois é. Essas foram minhas palavras depois de ler esse livro mais do que perfeito. Mas essa postagem é para falarmos de um livro dele que ainda nem foi lançado e já promete: Two Boys Kissing (Dois Meninos Se Beijando, em tradução livre), que conta a história de dois amigos que decidem tentar quebrar o recorde de beijo mais longo. A capa (pasmem!) tem a foto de dois meninos envolvidos em um beijo, mas a história da capa é que é interessante. 

Acontece que a foto da capa foi tirada por um fã do Levithan, com quem ele conversou por facebook e pediu para tirar a foto. Lógico que o garoto (que está no último ano do colégio) recebeu pela foto, mas imagina a emoção de participar de um projeto do ídolo!

A própria história do livro é baseada numa história de fã. Dois meninos de New Jersey, nos EUA, bateram o recorde em 2010, beijando por 33 horas seguidas (só por curiosidade, o recorde atual são 50 horas).

Adorei essa iniciativa do David de incluir mais os fãs. Acho o máximo quando os autores fazem isso, e o relacionamento deixa de ser unilateral hehe.

Outro tópico que eu quero discutir é o lançamento de O Teorema Katherine, do John Green, pela Intrínseca. Não li o livro ainda, mas posso garantir que é bom, então corre e compra o seu. Se não pelo recheio, pela capa linda. <3

      

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Pernas Cruzadas

Eu vi a Estátua da Liberdade estampada em suas calças
O alargador na orelha, gravidade
me puxou para baixo e me deprimi

Eu vi o Rio Hudson nas ondas de seus cabelos
Os olhares de encontraram
Não sabia o que fazer mas sobrevivi

Eu vi a poluição da Grande Maçã adornando seus olhos
Não tenho certeza se quero sexo ou te assassinar
Mas numa noite cinzenta na baía de minha solidão
Eu quis, eu quero, te amar.

Ariel Carvalho.


Nota: Essa é em homenagem a uma pessoa muito bonita que cruzou meu caminho ontem. A parte do assassinato diz respeito a um estudo que diz que quem faz contato visual por mais de seis segundos quer fazer sexo ou matar a outra pessoa.


quinta-feira, 2 de agosto de 2012

"Um dia, você será velho o suficiente para começar a ler contos de fada outra vez."

Imagine se, depois de perder um de seus pais e estar passando por uma situação difícil, você tivesse a chance de visitar um mundo de contos de fada, entrando em um livro que você costumava ler quando era mais novo.

É exatamente isso que acontece com Alex e Conner Wishington, do livro The Land Of Stories, do Chris Colfer, que mal foi lançado e já entrou na lista de best-sellers do New York Times.

 Foto do site oficial.

A princípio, pensei em não escrever sobre ele por aqui, porque achei que seria muito suspeita para falar de algo referente a um ídolo meu. Mas depois pensei melhor e, bem, se o livro fosse ruim, mesmo sendo o Chris Colfer, eu odiaria.

A história narra as aventuras dos gêmeos dentro do livro, enquanto eles procuram todos os itens necessários para fazer uma espécie de poção que os permitirá voltar para casa e para sua mãe.

Mesmo enfrentando o Lobo Mau e quase virando escravos de trolls e goblins, eles descobrem um segredo sobre suas próprias vidas que fará com que eles vejam o mundo dos contos de fada de uma forma completamente diferente.

Chorei e ri ao mesmo tempo quando terminei de lê-lo. Uma dica para quem decidir embarcar com os gêmeos é ouvir o audiobook, porque as vozes do Chris (sim, foi ele próprio que fez o audiobook) fazem com que a história sejam ainda mais emocionante, divertida e triste.

Li a última frase com a consciência de que não era a última vez que via aqueles personagens, e isso me deixou feliz. Acho que quando uma história é mágica, você nunca quer dizer adeus, não é?

Ah, e a frase do título é do C.S. Lewis, o autor de "As Crônicas de Nárnia" e a frase que inicia o livro do Chris.